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Andador: por que a pediatria desaconselha e o que usar no lugar

O produto mais vendido na nossa busca por centro de atividades era um andador. A Sociedade Brasileira de Pediatria o considera perigoso e desnecessário. Explicamos por quê e quais são as alternativas.

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Andador: por que a pediatria desaconselha e o que usar no lugar

Quando montamos o nosso ranking de centros de atividades, o produto mais vendido da busca não era um centro de atividades. Era um andador, com 350 avaliações e décimo lugar na categoria de andadores da Amazon. Deixamos de fora. Este texto explica por quê.

A resposta curta: a Sociedade Brasileira de Pediatria considera o andador perigoso e desnecessário. Ele leva o bebê rápido a lugares perigosos, principalmente escadas, e não ajuda a andar. No lugar, a SBP aponta o cercado com brinquedos.

O que a SBP diz

O documento "Andador: perigoso e desnecessário", do Departamento de Segurança da SBP, reúne os argumentos:

  • Acidentes: o andador causa, todos os anos, cerca de dez atendimentos em serviços de emergência para cada mil crianças com menos de 1 ano. Um terço dessas lesões é grave, geralmente fraturas ou traumas cranianos.
  • Escadas: entre os casos mais graves, cerca de 80% são quedas de escada.
  • Supervisão não basta: cerca de 70% das crianças que se machucaram em andadores estavam sob supervisão de um adulto. Um bebê a 1 metro por segundo chega à escada antes de alguém reagir.
  • Desenvolvimento: bebês que usam andador demoram mais para ficar de pé e andar sem apoio, engatinham menos e têm escores menores em testes de desenvolvimento.

A SBP lembra ainda que o Canadá proibiu a venda de andadores. A Health Canada mantém a proibição e orienta destruir e descartar os andadores existentes.

O que é andador, para o Inmetro

No Brasil, o andador é vendido legalmente, com certificação compulsória do Inmetro (Portaria nº 129/2021). O regulamento define o produto: um assento com retenção entre as pernas, preso a uma estrutura rígida com rodas ou rodízios, em que a criança se movimenta com os pés no chão.

O mesmo regulamento exige mecanismo de travamento contra queda em degraus e a advertência na embalagem: impeça o acesso a escadas, degraus, rampas e superfícies irregulares e a locais com risco de afogamento ou queda. O próprio produto certificado admite o risco que a SBP descreve.

Ficam fora dessa definição os brinquedos que a criança empurra andando de pé, os chamados empurradores.

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Alternativas citadas neste texto

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O cercado com brinquedos é a alternativa que a própria SBP aponta como mais segura que o andador.

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Centro fixo, sem rodas, com limites de peso e altura informados.

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Mesa sem assento: o bebê brinca sentado no chão e, depois, de pé apoiado.

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Andador, centro de atividades e empurrador: a diferença

ProdutoComo éA orientação
AndadorAssento com rodas; o bebê se desloca encaixadoA SBP desaconselha; proibido no Canadá
Centro de atividades fixo ou jumperAssento sem rodas; o bebê fica no lugarUso por períodos curtos, com adulto no ambiente
Mesa de atividadesSem assento; o bebê brinca sentado ou de pé apoiadoLivre, o bebê entra e sai quando quer
EmpurradorBrinquedo que a criança empurra andandoPara quem já fica de pé; fora do regulamento de andadores

Atenção a um detalhe da Health Canada: tirar as rodas de um andador não o transforma em centro de atividades. E alguns produtos vendidos como "4 em 1" têm um modo andador entre as funções.

O que usar no lugar

Chão livre. É onde o bebê aprende a rolar, sentar, engatinhar e se puxar para ficar de pé. A Caderneta da Criança pede liberdade para o bebê movimentar o corpo inteiro.

Cercado com brinquedos. É a alternativa que a própria SBP aponta: se um adulto não pode ficar o tempo todo ao lado do bebê, o cercado é mais seguro que o andador. No nosso ranking de cercadinhos, os modelos vão de 0,8 m² a 2,7 m² de área.

Centro de atividades fixo. Sem rodas, por períodos curtos. A Health Canada orienta deixá-lo longe de escadas, portas, janelas, mesas de centro, plantas, abajures, TV, fogão e aquecedores, e longe de cordões de cortina.

Mesa de atividades. Sem assento, para o bebê brincar sentado e, mais tarde, de pé apoiado.

E a escada?

Com ou sem andador, a escada é o ponto mais perigoso da casa para o bebê que se desloca. A Caderneta da Criança pede barreiras de proteção nas escadas e grades ou redes nas janelas a partir dos 6 meses. A SBP chama isso de proteção passiva, mais efetiva que a vigilância.

Os erros mais comuns

Achar que o andador ensina a andar. A SBP diz o contrário: bebês que usam andador demoram mais para andar sem apoio.

Confiar na supervisão. A maioria dos acidentes aconteceu com um adulto por perto.

Comprar "centro de atividades" com rodas. Se tem assento e rodas, é andador, mesmo com outro nome.

Perguntas que chegam até nós

Andador é proibido no Brasil? Não. Ele é vendido com certificação compulsória do Inmetro. O documento da SBP defende que leis como a canadense cheguem ao Brasil e, enquanto isso, conta com o bom senso dos pais para não usar.

E o andador com trava contra degraus? O mecanismo é exigência do regulamento. Ainda assim, a embalagem precisa avisar para impedir o acesso a escadas, e a SBP mantém a recomendação de não usar.

Com que idade o bebê começa a andar sem andador? Cada criança tem o seu tempo. Acompanhe os marcos na Caderneta da Criança e converse com o pediatra se tiver dúvida.

Como estimular os primeiros passos, segundo a Caderneta

A Caderneta da Criança, do Ministério da Saúde, descreve o caminho natural, sem andador:

  • No chão. Coloque o bebê numa esteira ou colchonete, estimulando-o a sentar, e ponha objetos à frente para ele ir buscar, se arrastando ou engatinhando.
  • Com apoio nos móveis. No começo, a criança busca apoio nos móveis e, aos poucos, vai largando. A Caderneta avisa: os móveis devem estar firmes, para não caírem sobre ela.
  • Objetos no sofá. Colocar brinquedos em cima do sofá ou da poltrona estimula a criança a ficar de pé e ganhar equilíbrio, até soltar as mãos e caminhar.

Na consulta, o pediatra acompanha marcos como "anda com apoio" e "anda sem apoio". Cada criança tem o seu tempo. O que a SBP mostra é que o andador não adianta esse tempo e ainda acrescenta risco.

Uma casa preparada vale mais que um equipamento

Na fase em que o bebê começa a se deslocar, a Caderneta pede barreiras nas escadas, grades ou redes nas janelas, produtos de limpeza e remédios fora do alcance, protetores nas tomadas e móveis firmes. Com a casa preparada, o chão livre é o melhor lugar para o bebê aprender a andar.

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